05 dezembro 2010

Resenha Crítica: Despicable Me (Gru, o Maldisposto)

Gru - O Maldisposto (Despicable Me) conta a história do maior vilão do mundo (Gru) que engendra um plano para efectuar o maior roubo do século: roubar a lua. Para tal proeza, tem ao seu dispor um exército de minions, pequenas criaturas amarelas e simpáticas que o idolatram, e um velho cientista, Dr. Nefario, companheiro de longa data. O enredo complica-se quando lhe aparecem à porta três adoráveis órfãs que lhe querem vender bolachas, bem como o ameaçador rival Vector, que apresenta semelhanças extraordinárias (chocantes!) com um Bill Gates adolescente.

Pierre Coffin e Ken Daurio estiveram a cargo da realização, liderando uma equipa de roteiristas celebrizada por ter escrito o guião de Horton Hears a Who!. Quanto ao elenco destacam-se Steve Carell a dar a voz a Gru, Julie Andrews à sua mãe, Jason Segel a Vector, Russel Brand a Dr. Nefario, entre outros.

Passemos, então, ao filme.

Antes de ser lida a crítica, é necessário que tenham em consideração a grandeza das minhas expectativas antes de ver o filme. Não apenas por só ter lido e ouvido elogios a priori, mas, e principalmente, por a última película de animação que vi ter sido Toy Story 3 (cuja excelência torna injusta qualquer comparação à partida). Deste modo, entrei na sala (de minha casa - não vi o filme no cinema) com o intuito de desatar a rir às gargalhadas assim que surgisse o mais pequeno vestígio de hilaridade.

As expectativas, obviam
ente, saíram defraudadas, pois, não só o humor de Despicable Me não é tão refinado como o de Woody e companhia, além de que nem foi esse o tipo de película que Coffin e Daurio quiseram realizar. Vejamos porquê.

Assim, o início do filme dá-nos
a conhecer o universo de Gru, as personagens que o acompanham - os já referidos minions, o cientista Dr. Nefario, a sua mãe, que o despreza, e o seu indomável "cão" - e a sua personalidade. Gru desdenha a raça humana e vilipendia-a quando pode. O seu maior sonho, no fundo, é tornar-se no maior vilão do planeta. E, porém, devido à excelente interpretação de Steve Carell e às carradas de fofice que emanam de cada um dos seus minions, não podemos deixar de gostar dele.

E eis que as órfãs chegam à história, adoptadas pelo vilão como um meio para se infiltrar em casa de Vector e roubar-lhe a arma que tornaria possível encolher e roubar a lua. A partir daqui, o enredo bifurca-se. Por um lado, foca a odisseia de Gru para levar a cabo o seu plano maquiavélico, o que acaba por dar algum suspense e imprevisibilidade à história. Por outro, aborda o desenvolvimento da relação entre ele e as meninas que, à medida que se vai adensando, vai diminuindo as nossas dúvidas de como irá acabar.

Em suma, Despicable Me não é um filme que apela ao riso imediato (se é que me entendem) e que, por isso, não agarra o espectador desde o início. É, isso sim, algo enternecedor. À medida que a acção se desenrola, sempre de uma forma bem estruturada, vamo-nos apegando às personagens que, por uma razão ou por outra, atraem toda a nossa simpatia.

O filme peca, no entanto, pela falta de imprevisibilidade, pelos clichés (a história, as próprias órfãs) e pela ausência de rasgos de genialidade que caracterizam qualquer obras-prima que se preze (e que, no caso da animação, não é tão raro quanto isso). Steve Carell fez o que pôde, ao construir uma personagem excepcional. A ideia que me fica, no final, é de que tanto os realizadores como os roteiristas de Gru escolheram jogar pelo seguro, talvez porque não há criatividade para mais, ou simplesmente porque é o seu primeiro filme como equipa. Quanto a isso, certamente que
I Hop servirá para dissipar as nossas dúvidas.

3.5/5

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