30 dezembro 2009

Resenha Crítica: "Arma Mortífera 4" (Lethal Weapon 4)

Roger Murtaugh: Since I met Riggs, I've had my house destroyed, my car wrecked, and now my BOAT SUNK. What's left?

Após ter adiado a idade da reforma, Roger Murtaugh (Danny Glover) continua a envolver-se nos mais perigosos e bizarros casos ao lado de Martin Riggs (Mel Gibson), em “Arma Mortífera 4”, o quarto e último filme da popular saga. Desde que conheceu Riggs, o calmo Roger Murtaugh viu a sua casa ser invadida por três vezes, ser destruída, o seu carro ser danificado e o seu barco afundado. Para além de tudo isso, Murtaugh ganhou um companheiro para a vida, formando com Martin Riggs uma dupla sensacional, que é uma verdadeira “Arma Mortífera”. No quarto filme da saga, vários dos nomes que estiveram presentes nos anteriores filmes da saga estão de volta, entre os quais, Mel Gibson e Danny Glover como a dupla de protagonistas, Joe Pesci regressa como o agora detective Leo Getz, Richard Donner regressa para o cargo de realizador, entre outros elementos que contribuíram para a popularidade desta saga cinematográfica, que tanto sucesso fez junto do público.
 Nesta fase da saga, Richard Donner já tem uma estrutura narrativa pré-estabelecida, que não conheceu grandes alterações a partir do segundo filme da saga. Em “Arma Mortífera 4” voltamos a ter Riggs e Murtaugh num intrincado caso, nomeadamente, a ter de lidar com um perigoso psicopata com armas pirotécnicas que ameaçam a vida de todos os que se encontram nas redondezas. Claro está que a dupla de agentes resolve o caso de forma divertida e explosiva, e rapidamente são colocados num posto onde aparentemente não podem causar perigos. No entanto, durante um passeio de barco com Leo Getz, estes deparam-se com um estranho navio, que transporta ilegalmente um grupo de emigrantes ilegais da China, tendo em vista serem vendidos como escravos assim que chegarem aos Estados Unidos da América. No interior do barco, um dos chineses foi assassinado, para servir de exemplo para os restantes que não cumprissem com o prometido, algo que desperta a atenção da polícia, e claro está, chamou a atenção dos agora Capitães Martin Riggs e Roger Murtaugh, que logo começam no encalço dos criminosos. 
 As pistas levam-nos até ao perigoso criminoso Benny Chan (Kim Chan), mais conhecido como "Tio Benny", um indivíduo temido em Chinatown, que conta com o apoio de um letal elemento da tríade, Wah Sing K (Jet Li). Para resolverem este caso, Riggs e Murtaugh contam com a habitual (pouca) ajuda de Leo Getz e do jovem oficial Lee Butters (Chris Rock), um indivíduo espalhafatoso, que passa a vida a procurar agradar a Murtaugh, sem que este último descubra inicialmente as verdadeiras razões para isso. Pelo meio, Murtaugh abriga uma família ilegal que é perseguida pelo Tio Benny, Martin Riggs e Lorna Cole continuam indecisos sobre o casamento, embora o facto desta última estar grávida crie um certo sentido de urgência de tomada de decisão da dupla, e Murtaugh lida com o facto da filha estar grávida de um indivíduo cuja identidade apenas vai descobrir com o avançar do enredo.
 Richard Donner sabe o que os fãs da saga querem e não teve grandes problemas em repetir a velha fórmula da saga, algo que levou ao desgaste da mesma, embora a dupla formada por Martin Riggs e Roger Murtaugh continue divertida e carismática, parecendo muitas das vezes dois velhos amigos do público, que já sabe o que esperar desta divertida e eficaz dupla. Mel Gibson surge com o cabelo curto, um pouco mais contido, mas nem por isso menos irreverente. Riggs conheceu algumas alterações de filme para filme, deixando de ser um psicótico suicida para aos poucos tornar-se num polícia irreverente que acaba por assentar um pouco ao lado de Lorna Cole, de quem irá ter um filho. Danny Glover continua como o barómetro moral, e desta vez terá de lidar com o facto de a sua filha estar grávida de um homem que desconhece, até mais tarde descobrir que este é um colega seu de trabalho. 
 Quem também está de regresso é Joe Pesci como o “fura-vidas” Leo Getz, um indivíduo aldrabão mas de bom coração que procura estar sempre perto de Riggs e Murtaugh, embora nem sempre a sua presença seja desejada por ambos e a sua ajuda pouco acrescente. Quem tem menos tempo de antena em relação ao filme anterior é Rene Russo, embora protagonize algumas cenas emotivas, que contribuem para o desenvolvimento dos personagens e para o drama humano do filme, e claro está para algum bom humor. Quem se apresenta como muito provavelmente o vilão mais temido da saga é Jet Li, que apresenta uma vasta parafernália de golpes que deixa a dupla de agentes e todos os que se aproximam do caminho em bastante mau estado. Jet Li tem em Wah Sing K o primeiro vilão da sua carreira e diga-se que cumpre a tarefa bastante bem, embora praticamente não tenha diálogos, dependendo sobretudo da expressão corporal.
 Richard Donner volta a incutir no filme vários elementos que celebrizaram a saga, entre os quais, as cenas de acção frenéticas, que incluem mais uma vez perseguições de carros, explosões, lutas corpo a corpo, tiroteios, e muito mais, naquele que é provavelmente o filme mais bem conseguido neste quesito. Embora o drama humano não seja tão desenvolvido como nos filmes anteriores, temos ainda Riggs e Lorna Cole a lidarem com o facto desta última estar grávida e a possibilidade de casarem, Murtaugh a voltar a ver a sua casa ser invadida, e um grupo de chineses que chegam para serem vendidos como escravos e são ilegalmente salvos por Murtaugh, entre outros.
 Tal como nos filmes anteriores da saga, os argumentistas trabalham algumas questões problemáticas que afectam a sociedade e utilizam-nas nos vilões. No primeiro filme tínhamos o tráfico de droga e prostituição, no segundo filme da saga o tráfico de drogas e a impunidade dos diplomatas, no terceiro filme da saga o tráfico de armas e a utilização de armas pelos menores, enquanto que no quarto filme da saga temos o tráfico humano e a lavagem de dinheiro. Não que estas questões sejam amplamente debatidas ou analisadas ao longo do filme, mas servem sobretudo como um sinal de alerta para um problema que existe e não deve ser ignorado, sobretudo na forma desumana como são tratados muitos dos imigrantes ilegais. A juntar a tudo isto, temos ainda uma banda sonora que enriquece a narrativa (um pouco à imagem dos anteriores filmes da saga), onde não faltam temas musicais de Eric Clapton, Elton John, Sting, George Harrison, entre outros. A saga “Arma Mortífera” tem conseguido ter como imagem de marca uma banda sonora atractiva, que enriquece a narrativa, e no quarto filme da saga essa situação volta a ser notória.
  “Arma Mortífera 4” aparece recheado de todos os elementos que celebrizaram a saga. Não faltam explosões, perseguições, momentos de bom humor, algum drama humano, e uma dupla de agentes mais carismática do que nunca, que ao longo dos diferentes filmes tornaram-se “velhos conhecidos do público”. Longe de apresentar grandes evoluções em relação aos anteriores filmes da saga, Richard Donner cai em facilitismos e segue uma fórmula que se foi desgastando de filme para filme, embora nunca deixe de ser bem conseguida. Mais uma vez, Riggs e Murtaugh regressam em grande estilo para resolver um intrincado caso, ao mesmo tempo que começam a perceber que a idade começa a pesar nas suas acções, enquanto Mel Gibson e Danny Glover voltam a formar uma dupla que se complementa na perfeição e proporcionam ao espectador momentos de diversão, tensão, alguma emoção, ao interpretarem dois dos personagens mais populares da carreira de ambos. “Arma Mortífera 4” pode não ser o mais original filme da saga, mas certamente é um filme de acção e comédia muito acima da média, que consegue entreter o espectador como poucos filmes do género conseguem.

Ficha técnica:
Título Original: “Lethal Weapon 4”
Título em Portugal: “Arma Mortífera 4”
Título no Brasil: “Máquina Mortífera 4”
Realizador: Richard Donner.
Guião: Jeffrey Boam e Robert Mark Kamen.
Elenco: Mel Gibson, Danny Glover, Joe Pesci, Rene Russo, Jet Li, Chris Rock, Darlene Love, Traci Wolfe, Damon Hines.

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