27 dezembro 2009

Resenha Crítica: "Arma Mortífera 3" (Lethal Weapon 3)

 Martin Riggs (Mel Gibson) e Roger Murtaugh (Danny Glover) estão de volta para o terceiro filme da saga “Arma Mortífera”. Desta vez, a famosa dupla de agentes não terá de lidar com um perigoso grupo de traficantes de droga, nem com um grupo de diplomatas sul-africanos, mas sim com um grupo de traficantes de armas, que é liderado por Jack Travis (Stuart Wilson), um antigo polícia, um indivíduo violento e corrupto que tudo fará para concluir os seus negócios obscuros e eliminar todos os seus inimigos... incluindo Riggs e Murtaugh. Novamente realizado por Richard Donner, “Arma Mortífera 3” volta a contar com Mel Gibson e Danny Glover, como a carismática dupla de agentes da polícia, para além de Joe Pesci como o eterno aldrabão Leo Getz, e a adição da bela Rene Russo, como Lorna Cole, uma sargento da administração interna que promete despertar a atenção de Riggs.
 Seguindo a estrutura do segundo filme da saga, “Arma Mortífera 3” começa com Martin Riggs e Roger Murtaugh a tentarem resolver um intrincado caso, nomeadamente a tentarem desactivar uma bomba. Claro está que a missão não corre como esperado, e a dupla é temporariamente despromovida para agentes de campo, precisamente quando faltam apenas sete dias para Murtaugh reformar-se. O que parecia uma tarefa de relativa facilidade, logo transforma-se num intrincado caso que envolve o tráfico de armas, um grupo de jovens delinquentes e o líder do grupo, um antigo Tenente da polícia, Jack Travis (Stuart Wilson), um indivíduo impiedoso que vai colocar a vida destes em perigo.
 A saga “Arma Mortífera” manteve uma vitalidade bastante interessante ao longo das diversas obras, embora não apresente grandes alterações em relação à estrutura de cada filme. Ao chegarmos a “Arma Mortífera 3”, Richard Donner parece ter encontrado uma fórmula de sucesso semelhante à obra cinematográfica anterior, ao colocar logo de início a dupla de protagonistas numa missão de alto risco, para posteriormente deixá-los numa tarefa de aparente menor dificuldade, que logo se revela a alavanca para um caso de maiores proporções, nomeadamente o tráfico de armas, e assim pegar numa questão problemática para a sociedade, abordando ainda a utilização de armas por menores. Diga-se que esta situação não é nova na saga, com os argumentistas a trabalharem uma problemática que afecta a sociedade e utilizá-la nos vilões. No primeiro filme tínhamos o tráfico de droga e prostituição, no segundo filme da saga o tráfico de drogas e a impunidade dos diplomatas, no terceiro filme da saga o tráfico de armas e a utilização de armas pelos menores.
 Não que estas questões sejam amplamente debatidas ou analisadas ao longo do filme, mas servem sobretudo como um sinal de alerta para um problema que existe e não deve ser ignorado. Tal como em “Arma Mortífera 1” e “Arma Mortífera 2”, não faltam as cenas de acção intensas, perseguições emocionantes, momentos de algum drama familiar no seio da família de Murtaugh, muito humor, e Mel Gibson e Danny Glover a segurarem um filme às costas, acompanhados por um Joe Pesci muitas das vezes hilariante e uma Rene Russo que se revela uma boa adição para o elenco. Diga-se que um dos méritos de “Arma Mortífera” passa pela forma como consegue integrar os novos elementos que surgem para “refrescar” o enredo. No caso de Rene Russo, esta vem abalar um pouco a forma de trabalhar de Riggs e Murtaugh, ao interpretar Lorna Cole, o semelhante feminino a Martin Riggs, dura e irreverente, esta aos poucos acaba por ceder aos encantos de Riggs, sobretudo depois da célebre cena em que ambos mostram as suas “feridas de guerra”. A grande força desta saga está no carisma e grande química da dupla formada por Danny Glover e Mel Gibson.
 No terceiro filme da saga os personagens estão mais familiarizados do que nunca, partilhando alegrias e tristezas, sendo praticamente uma dupla de “irmãos”, algo que fica confirmado nas palavras de Riggs para Murtaugh, quando este último entra em depressão após uma decisão mais complicada “You selfish bastard! You selfish bastard, you're just thinking about yourself! What about me? We're partners, we are partners. What happens to you, happens to me”. Riggs aparece como um elemento mais cómico e menos deprimido com o passado do que nos dois filmes anteriores, embora mantenha a irreverência do costume, com Mel Gibson e ter aqui um dos melhores personagens da sua carreira, num desempenho notável e que faz lamentar o ostracismo a que tem sido sujeito nos últimos tempos. Danny Glover volta a ser o barómetro moral como Murtaugh, um polícia veterano que procura tentar manter-se vivo até à reforma, enquanto procura lidar com problemas familiares, nomeadamente as estranhas amizades do seu filho. A juntar a todos estes personagens temos Joe Pesci como Leo Getz, um ex-contabilista corrupto que virou vendedor imobiliário, um indivíduo espalhafatoso, que serve como alívio cómico do enredo, e Stuart Wilson como Jack Travis, um vilão perigoso que vai desafiar a dupla de agentes e colocar a vida destes em verdadeiro perigo.
 Richard Donner chega a esta fase da saga com a noção do que resulta e o que não resulta no enredo, obedecendo a uma estrutura codificada nos filmes anteriores, exacerbando as cenas de acção (mais emocionantes do que nunca) e de humor, embora o desenvolvimento dos personagens não seja tão notório como nos restantes filmes. As cenas de acção são impressionantes, desde perseguições frenéticas, tiroteios, até ao emotivo e explosivo final, onde sentimos que o perigo se aproxima, tudo acompanhado por uma banda sonora emotiva e adequada. “Arma Mortífera” coloca Riggs e Murtaugh numa aventura mais dura e perigosa do que nunca, num filme de acção e comédia que tem todos os condimentos para entreter o espectador, embora peque pela falta de ambição de não tentar inovar em relação aos anteriores filmes da saga. Richard Donner aposta forte na dinâmica entre os personagens interpretados por Mel Gibson e Danny Glover, nas cenas de acção de tirar a respiração, e nos vários elementos de comédia. Gibson e Glover voltam a “encher” o grande ecrã como uma dupla de polícias carismática, em que as personalidades distintas complementam-se, tornando a dupla numa “Arma Mortífera”. A juntar a tudo isso, temos um Joe Pesci como alívio cómico e uma Rene Russo como uma “versão feminina” de Martin Riggs. Recheado de acção, tensão e elementos de comédia, “Arma Mortífera 3” vai certamente agradar aos fãs da saga.

Ficha técnica:
Título Original: “Lethal Weapon 3”
Título em Portugal: “Arma Mortífera 3”
Título no Brasil: “Máquina Mortífera 3”
Realizador: Richard Donner.
Guião: Jeffrey Boam e Robert Mark Kamen.
Elenco: Mel Gibson, Danny Glover, Joe Pesci, Rene Russo, Stuart Wilson, Darlene Love, Traci Wolfe, Damon Hines, Steve Kahan.

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