23 dezembro 2009

Resenha Crítica: "Arma Mortífera 2" (Lethal Weapon 2)

 “Arma Mortífera” foi um sucesso junto do público e da crítica, tendo marcado uma geração de espectadores. Dois anos depois da estreia de “Arma Mortífera”, nomeadamente em 1987, surge nas salas de cinema norte-americanas “Arma Mortífera 2”, a sequela que viria a tornar-se mais um sucesso de bilheteira da saga. Para a continuação da saga, quase todos os elementos do elenco principal e da equipa criativa estão de regresso. Mel Gibson e Danny Glover regressam como a frenética e carismática dupla de protagonistas, Richard Donner volta a assumir o cargo de realizador, e Shane Black, embora não escreva o argumento, foi o responsável pela história (ao lado de Warren Murphy), que posteriormente foi desenvolvida num argumento bem elaborado por Jeffrey Boam.
 Se não viu o primeiro filme não espere grandes apresentações dos personagens na sequela, pois Richard Donner brinda-nos desde logo com uma perseguição frenética, com Martin Riggs e Roger Murtaugh a perseguirem um grupo de suspeitos. Ao pesquisarem o veículo dos criminosos, estes deparam-se com um recipiente recheado de moedas Krugerrand, algo que chama a atenção de um grupo de criminosos ligado ao regime do Apartheid, cujo líder, o diplomata Arjen Rudd (Joss Ackland), logo envia um aviso a ameaçar de morte a família de Murtaugh. Perante todos estes problemas, os dois polícias são retirados da missão e designados para uma missão de aparente facilidade e que supostamente serviria para Riggs e Murtaugh acalmarem o ritmo, nomeadamente proteger Leo Getz (Joe Pesci), um contabilista especializado em lavar dinheiro da máfia, que decide denunciar alguns dos elementos com quem trabalhou, após estes últimos terem descoberto que Getz desviava fundos para a sua conta, entre os quais, um grupo de perigosos diplomatas sul-africanos, que utilizam a sua imunidade diplomática para agirem a seu bel-prazer. Com Riggs e Murtaugh nada é tão fácil como parece e logo vêm-se na contingência de desvendar este mistério e capturarem os criminosos, enquanto as suas vidas correm sérios perigos.
 “Arma Mortífera 2” procura repetir a fórmula do primeiro filme da saga e exacerbar algumas das suas qualidades, de forma não só a captar a atenção dos fãs do primeiro filme, mas também dos cinéfilos que visionaram o filme antes de "Arma Mortífera". Não faltam cenas de acção emocionantes, momentos de humor, tensão, algum drama emocional, tudo tendo como temática central a dupla de protagonistas formada por Roger Murtaugh e Martin Riggs. A força desta saga está na dupla de protagonistas, interpretados por Mel Gibson e Danny Glover, uma dupla dinâmica e carismática, que, agora conta com a companhia de Joe Pesci como Leo Getz, um contabilista corrupto que é um chato de primeira, e promete despertar algumas gargalhadas do público. De salientar ainda a presença de Joss Ackland como o perigoso diplomata sul-africano Arjen Rudd, um indivíduo que utiliza a sua imunidade diplomática para o contrabando de droga, e da bela Patsy Kensit como Rika Van Den Haas, a bela e sensual funcionária do perigoso diplomata, uma mulher aparentemente frágil que aos poucos sucumbe aos encantos de Riggs.
 Quem também sucumbe aos encantos do material que tem nas mãos é Richard Donner, que utiliza vários dos elementos que tiveram sucesso no primeiro filme e exacerba-os, elaborando uma obra cinematográfica com um ritmo frenético, onde a acção e a comédia surgem em perfeita harmonia, num tom muito semelhante ao primeiro filme. Richard Donner não poupa nas cenas de acção e tensão, desde dispositivos explosivos numa retrete, perseguições em carros, tiroteios, lutas corpo a corpo, várias reviravoltas, num filme onde Riggs é colocado perante duras revelações e Murtaugh percebe que a pré-reforma não vai ser tão sossegada como esperava, com ambos a terem de ultrapassar duros desafios enquanto procuram resolver o intrincado caso e manter-se vivos. Pelo meio, muito humor, algum drama familiar, e mais uma vez uma dupla de protagonistas bem construída.
  Giggs mantém a sua “saudável” irreverência, tão útil para resolver os casos e por vezes para fazer rir o público, enquanto Murtaugh é o barómetro moral, sempre muito mais calmo que Riggs, aos poucos este deixa-se conquistar e contagiar pela saudável loucura do seu colega, formando uma dupla de agentes imbatível e uma dupla de amigos inseparável. O argumento do filme é bastante inteligente ao manter os vários traços da personalidade de Riggs e Murtaugh e fazer evoluir os personagens. Riggs passa a apresentar um comportamento menos suicida, explica as causas da morte da mulher e finalmente tem a oportunidade de descobrir quem provocou o acidente. Murtaugh continua um pai de família bastante preocupado, que começa a ter de lidar com o crescimento da filha adolescente, ao mesmo tempo que vê a família ser novamente colocada em perigo. A juntar a tudo isso, temos ainda um conjunto de antagonistas melhor desenvolvidos, que permitem abordar algumas temáticas polémicas e colocar algumas questões importantes, entre os quais os perigos que a imunidade diplomática pode trazer, para além de trazerem uma crítica ao regime do Apartheid na África do Sul, através dos antagonistas.
 Outra das linhas de força que se mantém em relação ao primeiro filme da saga é a banda-sonora, que mais uma vez é bem utilizada ao serviço da narrativa, onde não faltam temas musicais de George Harrison, “The Beach Boys”, “The Skyliners” e claro está de Eric Clapton com “Knockin´ On Heaven´s Door”. Embora seja mais irregular do que a banda sonora do primeiro filme, “Arma Mortífera 2” conta com um conjunto de canções que servem bem a narrativa e exacerbam alguns momentos do enredo. Martin Riggs e Roger Murtaugh regressam em grande estilo em “Arma Mortífera 2”, após terem conquistado o público no primeiro filme da saga. A dupla de protagonistas, interpretada por Danny Glover e Mel Gibson, volta a ser a grande força da obra, com Richard Donner a dar ao público tudo aquilo que este poderia esperar, num filme de comédia e acção que apresenta um ritmo frenético e divertido, que certamente vai agradar a todos os que apreciaram o primeiro filme. Longe de deslumbrar como o primeiro filme, “Arma Mortífera 2” joga com as suas fraquezas, exacerba as suas qualidades e apresenta-se como uma obra cinematográfica bem conseguida, que certamente irá agradar a todos os fãs do primeiro filme da saga.


Ficha técnica:
Título Original: “Lethal Weapon 2”
Título em Portugal: “Arma Mortífera 2”
Título no Brasil: “Máquina Mortífera 2”
Realizador: Richard Donner.
Guião: Jeffrey Boam.
Elenco: Mel Gibson, Danny Glover, Joe Pesci, Patsy Kensit, Joss Ackland, Derrick O´Connor,

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