15 dezembro 2009

Coreia do Sul: Os soldados já estão no terreno. Mas como conquistar a aderência da população?


Este é um excerto de um sub-ponto, de um trabalho onde será desenvolvida a temática "Hollywood na Política Externa Norte-Americana pós II Guerra Mundial, actor principal da Diplomacia Cultural ou mero figurante?" No caso é um excerto da parte referente à Ásia, nomeadamente na Coreia do Sul.

Coreia do Sul: Os soldados já estão no terreno. Mas como conquistar a aderência da população?

Outro caso interessante a abordar, no continente Asiático, é o da Coreia do Sul. O território da Coreia foi dividido em duas partes no período posterior à II Guerra Mundial, os Estados Unidos vão ocupar o Sul e a União Soviética o Norte. Se por um lado esta situação libertará a Coreia do domínio Japonês, por outro causará uma cisão no território, que se manterá até aos dias de hoje. Os Estados Unidos vão manter efectivos militares durante os três anos de ocupação aliada, que vão desde 1945 até 1948. O domínio Norte-Americano no território não se ficará apenas pela presença de efectivos militares, muito pelo contrário, a força é um meio de garantir a ordem a curto prazo mas não a longo prazo, é necessário conquistar povo Coreano. Ao contrário do caso Europeu, onde os Estados Unidos procuram desde o inicio da Guerra Fria, conquistar os hearth´s and minds da população Europeia, no caso da Coreia, esta situação só se dará após 1947, quando se apercebem de que a ideologia Soviética começa a granjear adeptos no território. Esta situação deve-se sobretudo aos Estados Unidos não terem uma acção política consertada tendo em vista a ocupação da Coreia. Os emissários Americanos perceberam que perante uma população susceptível à propaganda Soviética, teriam de utilizar não as mesmas armas, mas algo semelhante a estas, ainda que os valores veiculados fossem diferentes. Entre os meios utilizados como difusores dos ideais Americanos, o Cinema terá sido o mais eficaz neste território, esta situação é corroborada pelo historiador Charles K.Amstrong, que refere “although literature, theater, and other cultural media were important means of disseminating pro-Western propaganda, film was the medium par excellence which was thought to be most effective in the propaganda war.
Durante os três anos de ocupação aliada, os filmes exibidos nas salas de Cinema Sul Coreanas serão na sua maioria Norte-Americanos, criando uma Americanização nos gostos cinematográficos da população em geral, a ponto de os cineastas Coreanos inspirarem-se no modelo fílmico americano para realizarem as suas obras. Para além dos filmes Americanos, eram apreciados os filmes de gangsters de Hong Kong que por sua vez tentavam imitar os filmes de gangsters de Hollywood. As obras eram importadas pela Central Motion Picture Exchange, esta era uma corporação Americana, estabelecida no território em 1946, pelas oito distribuidoras cinematográficas que operavam no território, juntamente com o Departamento do Exército e com o State Department . No entanto, não se pense que estas medidas acabaram com o Cinema Coreano, muito pelo contrário, este conheceu não só um dos seus maiores êxitos até à altura, com Hurra! For Freedom! (1946), realizado por Ch´oe In´gyu, este era um filme de teor nacionalista, algo que o título deixa antever, mas também uma produção de filmes considerável. A produção cinematográfica entre a segunda metade de 1946 e 15 de Agosto de 1948, é composta sobretudo por obras de teor Nacionalista, obras sobre a libertação do jugo Japonês, daí atribuir-se por vezes a designação de Liberation Period a este período. Passado apenas um ano da sua formação, a República Popular da Coreia, foi produzido o primeiro filme a cores, The Women´s Diary (1949) de Hong Songgi.
Para além de obras de ficção, foram produzidos pequenos noticiários/documentários, os chamados newsreels, para informar os Sul Coreanos do trabalho que estava a ser feito pelos Estados Unidos e pelas forças aliadas no território. Uma dessas séries de Newsreels, chamava-se Progress of Korea, sendo produzidos na sua maioria, no território Coreano, sendo exibidos um por semana. Esta foi uma acção concertada para tentar orientar os ideais dos habitantes para seguirem os ideais de Democracia e Liberdade Americanos e não para caírem na tentação de criar um Estado eivado de características fascistas ou comunistas.
A 15 de Agosto de 1948, foi estabelecido o primeiro Governo da República da Coreia, marcando a ruptura do território entre o Norte associado ao Comunismo e o Sul ligado ao Capitalismo. Entre 25 de Junho de 1950 até 27 de Julho de 1953, os dois territórios entram em confronto, tendo a Coreia do Norte apoio da União Soviética e a Coreia do Sul o apoio dos EUA. Este situação levou a que os EUA permanecessem mais tempo no território, sendo a sua influência no território algo que perdurará ao longo dos anos.
No caso Coreano, o papel de Hollywood e do Cinema foram fundamentais para a Diplomacia Cultural Norte-Americana, sendo actor principal na difusão dos ideais democráticos Americanos, tendo uma acção importante no desenvolvimento do Cinema Coreano, que bebeu muita da sua inspiração nas obras Americanas. De referir que no caso da Coreia do Sul, à imagem do Japão, o Cinema foi utilizado como reeducador destes dois povos, a ponto dos filmes exibidos serem pensados não do ponto de vista do entretenimento mas sim da imagem que estes transmitiriam sobre o povo Americano.

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